Quadro Saúde Mental

Manifestações populares

O atual momento é Histórico. Os brasileiros estão severamente descontentes com a conjuntura político-social que o Brasil submerge. A população sente-se afrontada, desrespeitada e aviltada. A corrupção e a impunidade parecem ser a regra, daqui a pouco acabam tornando-se normais. Aliás, a prevaricação só perpetua-se devido à falta de punição. A Proposta de Emenda à Constituição nº 37 (PEC 37) é a personificação da tentativa de um domínio amplo e unilateral daqueles que usam o poder para as suas próprias beneficies. E o pior, o Deputado Lourival Mendes, autor dessa proposta, está admitindo, nas entrelinhas, que as Polícias civis e militares são mais fáceis de serem manipuladas… Por favor, alguém me explica por qual motivo um indivíduo (ou um grupo deles) iria desejar a sansão da PEC-37, senão por motivos perversos e individualistas?

É a indignação que move a população brasileira para as ruas. Possivelmente, os grandes motivos dessa inquietação ainda encontram-se obscuros no inconsciente das pessoas que reivindicam por um Brasil melhor. No entanto, esses elementos inconscientes estão escapando pelos poros do aparelho psíquico dos manifestantes, o que fornece força suficiente para saírem da inércia do subjugo e protestarem. Mesmo sem saber exatamente o que estão reivindicando, os Brasileiros sentem-se impelidos a isso… é o inconsciente coletivo!

O ser humano tende a organizar-se em grupos, cuja estrutura coloca um determinado sujeito em posição de liderança sobre os demais. Para Freud, a sociedade política corresponde ao desejo irracional do homem em restaurar a autoridade; com a morte do pai primitivo, surge no homem a “nostalgia do pai”. A dimensão política seria uma extensão da esfera privada; assim, a veneração exagerada ante o homem público é uma recorrência da adoração do filho pelo pai.
Simbolicamente, pode-se afirmar que o líder vai ocupar o lugar de “pai” dentro do grupo. Para submeter-se a um líder, é preciso que este ofereça um tratamento igualitário em relação a seus pares. Os liderados “amam” seu líder e esperam que ele os “ame” em retorno. Criam a expectativa que as lideranças tratem todos os seus “filhos” igualmente, sem demonstrar preferências. Logo, para que um líder sustente o lugar que lhe é oferecido perante um grupo, é exigido que tratasse a todos com justiça e imparcialidade. E os nossos atuais líderes, como nos tratam?

A população Brasileira, assim como um “filho” desapontado com seu “Pai” (figura idealizada, de liderança), deseja justiça e distância daqueles que a desalentaram. Quer “fazer as malas e sair de casa”. Está desapontada e cansada de maus tratos e enganações. Anseia por mudanças em sua vida. Almeja o retorno da homeostase social, do respeito e da honestidade.

Uma Pátria que arrecada, somente de impostos, mais de Um Trilhão de Reais por ano, que investe em gigantescos e onerosos estádios de futebol enquanto a saúde, o transporte e a segurança pública beiram o caos, que gasta cerca de Dez Milhões por ano com cada Deputado Federal, que não pune os mensaleiros, que emburrece o seu povo com programas assistencialistas, que polariza a Política e estabelece um regime totalitário, que inibe a democracia e encoraja a demagogia, só poderia decepcionar seus “filhos”.

O que a população Brasileira mais deseja é ser bem cuidada. Precisamos de uma “Mãe suficientemente boa” (parafraseando Winnicot, renomado Psicanalista), e/ou de um Pai austero, íntegro, distinto, que conduza nossas vidas para um lugar seguro. Traduzindo: precisa-se de um novo Líder!

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>