Quadro Saúde Mental

Diagnosticar e tratar corretamente o TDA/H pode reduzir consideravelmente o risco de uso de drogas no futuro.

O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDA/H) é um dos transtornos comportamentais com maior incidência na infância e adolescência. Pesquisas realizadas em diversos países mostraram que o TDA/H está presente em 3 a 5% das crianças em idade escolar. É caracterizado por, principalmente, sintomas de desatenção, desorganização, inquietude e impulsividade.

Por ser uma patologia crônica, o TDA/H pode acarretar diversos prejuízos ao indivíduo, como dificuldades na escola, na universidade, no emprego, na vida social, maiores chances de gravidez não-planejada e de envolvimento em acidentes, e maior risco de, no futuro, uso, abuso e dependência de álcool, tabaco e de drogas ilícitas, principalmente a cocaína e o “crack”.
A adolescência, por si só, já é um grande fator de risco para o consumo de drogas.

Trata-se de uma fase de muitas modificações físicas, psíquicas e comportamentais. É o momento que o jovem vai em busca de sua própria personalidade, identidade, e, por isso, experimenta mais novas experiências, novos riscos e desafios. E nessa fase da vida, por inúmeras motivações, muitos adolescentes acabam usando substâncias psicoativas.

Entretanto, os que possuem diagnóstico de TDA/H experimentam drogas mais precocemente, usam-nas em maior quantidade, tornam-se mais dependentes e demoram mais tempo para buscar tratamento. Há também uma menor percepção do abuso, maior dificuldade de cessação do uso e menor senso crítico na escolha do grupo, por esses pacientes.

Em recente estudo, desenvolvido por pesquisadores do Centro de Pesquisas em Álcool e Drogas do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, concluiu-se que jovens com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade têm mais chances de tornarem-se usuários de drogas ilícitas que os demais jovens da mesma faixa etária. Isso significa que, diagnosticar corretamente o TDA/H, e tratá-lo, de forma adequada, pode reduzir consideravelmente o risco de uso de drogas no futuro.

Também há fortes evidências científicas que apontam que o risco dos portadores do Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade desenvolverem dependência de álcool e outras drogas é menor entre adolescentes que receberam tratamento dessa doença durante a infância, em comparação àqueles que não receberam nenhum tratamento.

Desta forma, o trabalho de identificação precoce do TDA/H e de suas comorbidades em crianças pode ser uma medida eficaz na prevenção ao uso de substâncias psicoativas na adolescência.

Não que o tratamento do Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade impeça o desencadeamento do uso de drogas, uma vez que, como descrito anteriormente, a dependência química é ocasionada por múltiplos fatores. Mas a terapêutica adequada desse distúrbio pode diminuir consideravelmente as chances dos jovens com TDA/H se tornarem abusadores ou dependentes de álcool e outras drogas

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