Quadro Saúde Mental

Dia do médico é comemorado nesta sexta-feira

Quero, nesse 18 de outubro, Dia do Médico, render minhas homenagens a todos os colegas médicos que, assim como eu, são apaixonados pela profissão que escolheram, e sentem-se orgulhosos em exercê-la.

À nós, Médicos, cabe o extremado e atento compromisso diário com as pessoas que nos procuram. Não basta apenas o domínio da técnica, apesar de absolutamente necessário. Devemos, também, cuidar, acolher, escutar, observar, sentir, examinar, ter empatia, colocando-se no lugar do outro, compaixão e bom senso.

Nós, doutores, precisamos ter a consciência de que a falta de tempo não poderá servir de desculpa para deixarmos de escutar a história que nossos doentes nos contam. Além disso, é nosso dever, principalmente nos tempos atuais, discutir com nossos pacientes todos os aspectos de sua saúde e do tratamento proposto, expondo com clareza as opções mais adequadas. O tempo dos que impunham suas condutas sem dar explicações, em receituários ilegíveis, já passou e não voltará.

Temos muito a aprender com os velhos mestres. Hipócrates, o pai da medicina, acreditava que a arte médica está em observar. Dizia que a fama de um médico depende mais de sua capacidade de fazer prognósticos do que de fazer diagnósticos. Ao paciente interessa mais saber o que lhe acontecerá nos dias seguintes do que o nome de sua doença. Explicar claramente a natureza da enfermidade e como agir para enfrentá-la alivia a angústia de estar doente e aumenta a probabilidade de adesão ao tratamento.

Muitas pessoas procuram a profissão médica tomadas pelo desejo altruístico de salvar vidas. Quem dera se conseguíssemos salvar todas as vidas que passam por nossas mãos. Infelizmente, apesar de todo o desenvolvimento científico e tecnológico da modernidade, a lista de doenças para as quais não existe cura ainda é interminável. Por isso, a cura não é a finalidade primária da medicina; o objetivo fundamental de nossa profissão é aliviar o sofrimento humano.

Preocupo-me com as ultra especialidades: temo que isso possa fragmentar o ser humano. O corpo e a alma são insolúveis, inseparáveis, funcionam em harmonia, assim como todos os sistemas de nosso organismo. A nós, médicos, impõem-se o equilíbrio entre a necessária busca das especializações e a importância de uma visão integral e complexa.

Também desassossego-me com a falta de respaldo trabalhista que muitos médicos se submetem: plantões de 24 horas, seguidos por mais várias horas de trabalho continuado no dia seguinte, em claro desprezo à própria saúde, e colocando em risco a vida das pessoas atendidas nesses momentos de fadiga extrema. Isso é Medieval e contraria o mais elementar dos direitos trabalhistas: o de dormir.

São os percalços de nossa carreira, e devem ser discutidos amplamente em sociedade e pelos órgãos competentes.
Contudo, independente dos aspectos citados anteriormente, nós, médicos, sentimo-nos lisonjeados pelo crédito em nós depositado. É ele que nos impulsiona para seguir em frente.

Agradecemos a todos os pacientes que nos confidenciaram seus segredos, anseios e problemas, e entregaram as suas vidas e ou de entes queridos em nossas mãos. A vida é o maior bem que há. Por isso, caro paciente, deixamos o nosso muito obrigado pela confiança, e firmamos o compromisso de doação máxima por cada um de vocês.

 

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