História da Estimulação Magnética Transcraniana

Os primeiros passos que conduziram até a moderna técnica da Estimulação Magnética Transcraniana, ocorreram em meados do início do século XX.

Após a descoberta da lâmpada elétrica de Thomas Edson, em 1880, a energia elétrica passou a revolucionar a indústria e a vida nos grandes centros urbanos mundiais.

Embora a grande satisfação e conforto trazidos pela nova fonte energética, as primeiras preocupações quanto à possíveis efeitos nocivos à saúde imediatamente também surgiram.

Como ocorrem nos dias de hoje acerca de outras fontes de energia, como os campos magnéticos transmitidos por aparelhos celulares, antenas de transmissão, etc…, começaram a levantar hipóteses quanto a questões de segurança da eletricidade industrial para o homem.

A capacidade de uma corrente elétrica continua de criar, ao redor de si, um campo magnético, é um conhecimento científico incontestável na atualidade.

Essa descoberta data de 1821, descrita pelo físico dinamarquês Hans C. Orsted, que ao notar que a agulha de uma bússola oscilava ao ser aproximada de um condutor com corrente elétrica, pesquisou e explicou a natureza básica do fenômeno.

Em 1831, o inglês M. Faraday descobriu, por outro lado, o princípio da indução eletromagnética. Descreveu, assim, a geração de energia elétrica a partir de campos magnéticos variáveis aplicados sobre metais condutores.
Com essa base teórica, e devido ao relato de alterações físicas sentidas em moradores de áreas próximas às fontes de correntes elétricas de alta tensão, estudos começaram a ser feitos para avaliarem os efeitos dos campos magnéticos gerados em torno dessas redes sobre o organismo humano.

Os pesquisadores do início do século passado começaram, então, a construir aparelhos de indução magnética para testar em indivíduos voluntários a exposição corporal a campos magnéticos.

Junto à região de seus crânios, colocavam capacetes imantados, e observavam as possíveis implicações biológicas da exposição controlada a essa fonte energética.

Curiosamente, essas pessoas começaram a descrever sensações psíquicas quando submetidas ao método: sensação visual de luzes piscantes (designados de fosfenos), vertigem, sensações de paladar, e impressões de luminosidade geral.

Portanto, estava comprovado que os campos magnéticos induziam mudanças mentais, pois a análise criteriosa descartou a hipótese de que as sensações surgidas se devessem apenas a efeito psicológico. Mas verdadeiramente eram ocasionadas pelos efeitos diretos dos equipamentos aplicados junto ao sistema nervoso central dos voluntários.

Dessa forma, intensificaram-se, a partir de segunda década do século passado, as pesquisas e as melhorias nos aparelhos, com evidente interesse no seu domínio como nova técnica para tratamento médico.

O uso de meios energéticos físicos empregados terapeuticamente é clássico na medicina. Desde os primórdios da ciência, na Grécia antiga, os efeitos biológicos de forças como a da luz, do calor, do frio, da energia solar, entre outras, foram utilizadas com comprovada importância.

Em meados de 1940, a terapia elétrica começou a ser utilizada em neurocirurgia, e trouxe novamente uma fonte física como meio terapêutico efetivo.

Assim, a energia magnética e eletromagnética também foram escolhidas como mais uma alternativa para buscar-se métodos físicos para a cura de enfermidades, os quais frequentemente se mostram superiores e menos tóxicos do que fármacos e substâncias químicas em geral.

Em 1965 foi conduzida por Bickford e Fremming a primeira estimulação magnética dos nervos humanos.
A partir de então os aparelhos para essa forma de indução magnética, e o uso em pessoas com finalidade médica, foram sendo aperfeiçoados nos parâmetros de intensidade, segurança e técnica.

Em 1985, Anthony Barker, na Inglaterra, construiu o primeiro dispositivo eficaz e indolor de Estimulação Magnética Transcraniana não invasiva. Poderia-se, então, magnetizar diretamente o tecido nervoso, sem a necessidade de invasão cirúrgica do crânio dos pacientes.

A partir de 1990 começaram a ser desenvolvidos os primeiros aparelhos industrializados em larga escala para uso clinico em humanos. E o uso médico em nível de pesquisa científica decolou.

Testes com o emprego nas mais variadas modalidades de tratamento iniciaram. Grandes estudos, investimentos em qualidade, junto com o estabelecimento de protocolos e diretrizes práticas começaram a se solidificar.

Trabalhos comparando resultados de efeito no uso isolado da técnica, bem como associado aos outros métodos mais antigos, foram mostrando o evidente resultado benéfico como nova terapia a ser empregada nas neurosciências.

Em 1995, é lançada a primeira publicação cientifica comprovando a eficácia da EMT no tratamento da depressão.
Em 2001, o Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clinicas da Universidade de São Paulo cria o Grupo de Estimulação Cerebral, chefiada pelo professor Marco Antonio Marcolin, iniciando o uso da EMT no Brasil.

Desde então, as pesquisas tanto tecnológicas como clínicas vem abundando nos maiores centros médicos mundiais. Seu comprovado resultado terapêutico vem sendo adaptado para emprego no tratamento de diversas patologias cerebrais, clinicas e cirúrgicas.

Inclusive, alguns autores afirmam que essa tecnologia emergente representa a inovação mais significativa em neuropsiquiatria nos últimos 50 anos.

Em 2011 a EMT é reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina como pratica médica indicada para o tratamento da depressão, esquizofrenia e planejamento de neurocirurgia.

Suas indicações médicas alcançam o uso para patologias como o AVC, dor, autismo, transtorno cognitivo, dependência de cocaína,TOC, zumbido,doença de Parkinson e outros.

E finalmente, em 2013, temos a aprovação do método para a classificação como procedimento a ser ressarcido pelos convênios médicos, junto ao Conselho Federal de Medicina.